Empresas como a Safari se especializam na criação de insetos vivos para que sejam usados para alimentar animais domésticos exóticos, como lagartos e pássaros.
Entre os insetos criados para serem usados como alimento de pets está a barata cinerea, uma espécie diferente da barata doméstica. (Foto: Divulgação)
Empresas estão faturando com a produção de baratas vivas, grilos e larvas de besouro desidratados e ratos congelados. Esses insetos e mamíferos são usados para alimentar animais exóticos, como lagartos, cobras, roedores e macacos.
Ter um animal desses como mascote é um hábito que vai ganhando espaço entre os brasileiros. O que muitos não sabem é que eles exigem cuidados especiais para se adaptar ao ambiente doméstico.
Os tenébrios (larvas de besouros), segundo a Nutrinsecta, são os insetos com maior procura. (Foto: Divulgação)
Uma das importantes características que os bichos perdem quando estão em cativeiro é o instinto de caça. Para resolver essa e outras questões, algumas empresas têm apostado na comercialização de insetos vivos como alimento.
“Nutritivamente, os insetos substituem a ração. Eles têm alto teor de proteína, gorduras e cálcio”, afirma Eduardo Matos, 40, empresário e sócio da empresa Safari, de Pìracicaba (SP), dedicada à criação e venda de insetos vivos. “Além disso, o animal desenvolve seu instinto de caça, e o dono também se diverte.”
Investimento de R$ 220 mil
A empresa foi criada em agosto de 2014. Até agora, Matos e seus dois sócios investiram cerca de R$ 220 mil no empreendimento. Desse total, 30% foram gastos com pesquisa e desenvolvimento, já que a área é nova, e não há muito material publicado sobre o assunto, segundo ele.
Os sócios da Safari investiram cerca de R$ 220 mil no negócio desde sua criação, em agosto de 2014; a Nutrinsecta está ampliando sua produção para atender a demanda por insetos, que é crescente. (Foto: Thiago Souto/Divulgação)
A maior parte dos investimentos foi consumida na construção de três galpões em uma propriedade em Piracicaba. Também foram usados recursos na implantação de equipamentos de processamento e no treinamento de pessoal.
A empresa produz grilos, tenébrios (larvas de besouros) e baratas. Os insetos são recomentados para a alimentação de lagartos, roedores, macacos, aves e peixes. O negócio, que atende somente pet shops (lojas de animais), fatura R$ 15 mil ao mês, com a expectativa de que chegue a R$ 60 mil mensais até o final do ano. Uma embalagem com 10 baratas cinerea custa R$ 25 nas vendas ao varejo.
Larvas de besouro desidratadas
A Nutrinsecta, de Betim (MG), é uma outra empresa que cria insetos para alimentação de animais. Criada em 2009, ela produz baratas, tenébrios e grilos, mas não os vende vivos, e sim desidratados. São fornecidos para fabricantes de ração, criadores de aves e de répteis, além de pet shops.
“Fomos a primeira do Brasil a obter autorização do Ministério da Agricultura para comercialização desse tipo de produto”, diz Alessandra Vitelli, 31, responsável técnica da empresa.
“A procura é muito alta, principalmente pelo tenébrio comum e pelo grilo. Tudo o que a gente produz é vendido. Há muita procura e já não temos como atender a todos os pedidos”, afirma Vitelli, acrescentando que a Nutrinsecta, que não divulgou valores, está investindo na expansão da produção para suprir a demanda do mercado.
Outra empresa que atua na venda de insetos vivos para alimentação de animais exóticos é a Répteis Brasil, de Valinhos (SP). Ela também vende ratos congelados para alimentar cobras.
Além de insetos vivos, a empresa Répteis Brasil vende também ratos congelados como alimento para animais domésticos exóticos. (Foto: Divulgação)
Farinha de grilo será novo produto
“Nosso próximo objetivo é fabricar farinha de grilo e de tenébrio”, diz Eduardo Matos, da Safari, referindo-se a um segmento do negócio ainda pouco explorado no Brasil. A farinha de inseto pode ser usada na produção de ração ou snacks (biscoitos) para animais domésticos.
Para o zootecnista Gilberto Schickler, o mercado mundial de consumo de insetos é amplo; na imagem, grilo usado para alimento de animais domésticos exóticos. (Foto: Divulgação)
O empreendedor destaca que os insetos criados pela Safari são mantidos em ambientes estéreis, não havendo risco de transmitirem doenças aos animais domésticos ou a pessoas. “Nossos insetos, por exemplo, são diferentes das baratas domésticas. Eles não voam e não têm o hábito de viver no esgoto ou no lixo.”
Questionado se há algum risco de infestação doméstica pelos insetos vendidos, o empresário diz que ele é mínimo. “Se você deixar muitas iscas fugirem, sim, elas podem se procriar. Porém eles são insetos de ciclo de vida curto, que exigem certas condições ideais para viver e se procriar.”
2 bilhões de pessoas comem insetos
Para o zootecnista Gilberto Schickler, o mercado mundial é amplo. “Mas ainda é incipiente no Brasil”, afirma. Aqui, segundo ele, praticamente só existe a produção de insetos para alimentação animal. Mundialmente estima-se em 2 bilhões as pessoas que praticam a entomofagia (consumo de insetos como alimento), segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentção).
“Hoje, quem está se aventurando está encontrando muita procura”, diz o zootecnista. Ele explica que o mercado está dividido em vários níveis de exploração, e há espaço para todos: os grandes criadores, que começam a produzir ração com insetos; os pequenos criadores; e os negócios informais.
“Vejo esse negócio com grande potencial nos vários níveis”, diz, especialmente diante do potencial de demanda caso o consumo humano seja ampliado ou estimulado.
Onde encontrar:
Safari Insetos – www.facebook.com/safarinsetos/
Répteis Brasil – www.repteisbrasil.com/
Nutrinsecta – www.nutrinsecta.com.br
(Edição de texto: Armando Pereira Filho)
Fontes:
Texto: economia.uol.com.br
(Por Carlos Brazil)
Foto: Thiago Souto/Divulgação
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